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Símbolo de resistência, Forte de Coimbra comemorou 250 anos de fundação no dia 13 de setembro de 2025

  • 17 de set. de 2025
  • 3 min de leitura

Silvio de Andrade, Corumbá.


Fortificação será restaurada pelo Exército com proposta de fomentar o turismo. (Foto: Divulgação)


Situado próximo à fronteira tríplice do Brasil com a Bolívia e o Paraguai, em Corumbá, o Forte de Coimbra completa, neste sábado, 250 anos de fundação. Tombada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) como patrimônio nacional, em 1974, a fortificação guarda uma parte da história da ocupação e definição de limites fronteiriços, de conflitos bélicos e crenças e devoção creditados a milagres da santa padroeira do lugar.


Em 1801, durante a guerra entre Portugal e Espanha, o forte em estrutura precária foi surpreendido por tropas espanholas, em quatro navios e 900 homens, enquanto o antigo presídio era guarnecido por apenas 49 soldados e 60 civis. O forte resistiu ao cerco por dez dias, coragem atribuída à força da fé em Nossa Senhora do Carmo. Uma tempestade repentina fragilizou os espanhóis, que bateram em retirada.


Passados 63 anos, na Guerra do Paraguai (1864-1870), Coimbra era novamente atacado, desta vez por uma forte esquadra de Solano Lopez - dez navios e 3.200 homens. Do lado brasileiro, 125 oficiais e soldados. Após dois dias de combate, em ato de desesperado, a imagem da santa é levantada na muralha do forte sobre gritos de vivas. Os paraguaios baixaram as armas e responderam “Viva Nuestra Senhora del Carmem”, suspendendo o ataque até o dia seguinte.


Imagem de Nossa Senhora do Carmo é referenciada pelos militares e civis em grande festa.

Foco no turismo - Relatos populares e registros históricos apontam para as intercessões milagrosas da santa, poupando os defensores da fortaleza de massacres – momentos estes, até hoje, marcos da espiritualidade militar local e forte devoção da comunidade civil que ali reside. No dia 16 de julho, é celebrada a festa da padroeira para cultuar o episódio de 1864 - quando os paraguaios tomaram o forte, mas não encontraram os brasileiros, que fugiram à noite pelo rio, até Cuiabá.


“Coimbra foi uma das poucas fortificações brasileiras que teve atuação em confronto bélico e transcende os valores militares” (João Henrique Santos, superintendente do Iphan/MS).


Hoje administrado pelo Exército, o forte é uma unidade de defesa praticamente desativada, guardada por uma pequena guarnição da 18ª Brigada de Infantaria do Pantanal, e está sendo preparado para cumprir sua função histórica e cultural como bem patrimonial nacional. Com projeto aprovado pelo Iphan, o Exército vai restaurar a fortificação e criar estrutura para atender ao turismo, em especial. Coimbra fica no Pantanal do Nabileque!


Construído para proteger a fronteira contra invasões espanholas, no contexto da assinatura e das demarcações decorrentes do Tratado de Madri (1750), sua fundação, em local errado, gerou também conflitos internos na capitania de Mato Grosso. O capitão-general Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres, português, determinou a instalação da defesa na região chamada de Fecho dos Morros, hoje Porto Murtinho.


Gravura publicada no jornal paraguaio El Cabichuí, durante a guerra, mostra canhões disparando em direção ao forte e a retirada brasileira.

Fronteira abandonada - O encarregado da missão, capitão Matias Ribeiro da Costa, levantou a precária estrutura do forte em outro local - no estreito de São Francisco Xavier, distante pelo menos 300 km de Rio Paraguai do ponto determinado. A falha rendeu-lhe a perda da patente, entre outras punições, com sua deportação, segundo relatos históricos. Os conflitos bélicos, no entanto, comprovaram que Matias estava certo: o forte foi construído em local estratégico.


Apesar da preocupação com a demarcação territorial, a fronteira era abandonada pela Coroa Portuguesa – daí, a facilidade do Paraguai em ocupar o forte e, depois, Corumbá, por três anos. A primeira construção (primitiva) de Coimbra espelhou a desatenção da capitania: em poucos meses a estrutura foi destruída pelo fogo. Somente a partir de 1791 decidiu-se pela construção de alvenaria (de pedra e cal). O projeto definitivo veio após a Guerra do Paraguai.


Ao longo do século XX, a fortificação foi mantida pelo Exército, porém, totalmente isolado, onde se chegava apenas pelo rio ou ar. Os conflitos persistiam, agora envolvendo a comunidade civil (descendentes de soldados que lutaram na guerra) sob ordens dos comandos militares. No início do século XXI, houve a tentativa de “repatriar” os civis para a cidade, o que não prosperou. Em 2000, chegou a energia elétrica, e, atualmente, o acesso por estrada (BR-454) está em obras


Fonte: CAMPO GRANDE NEWS

 
 

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