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Proposta Escola Cívico-Militar construindo disciplina sem autoritarismo ou repressão

  • Foto do escritor: tremdopantanal
    tremdopantanal
  • 27 de jun. de 2023
  • 6 min de leitura

Formatura pela manhã dos alunos / Foto: Ronald Regis / O Pantaneiro

O Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares, um projeto de gestão na área educacional, no âmbito Estadual, conta com a participação do corpo docente, discente e comunidade escolar, é uma proposta de educação com a participação de militares PM ou Bombeiros. A experiência que O Pantaneiro testemunhou para perceber o outro lado dessa discussão acerca da proposta educacional, foi expressa, principalmente pelos alunos, da Escola Estadual Maria Corrêa Dias de Anastácio que recebeu o projeto Escola Cívico-Militar, em 2021. Com eles a equipe de reportagem conversou e apresentou a seguir.



“Teve uma diferença, mas foi para o lado bom mesmo. Porque foi mais da questão da ordem, da disciplina. No começo eu fiquei meio receosa com a ideia, porque como eu já estudava aqui, já estava acostumado com o modelo normal da escola. Quando eu soube que ia virar cívico-militar eu fiquei meio apreensiva, só que me adaptei bem. A questão maior foi a disciplina, porque na verdade afeta em tudo. Quando os alunos estão bagunçando na sala, não tem tanta facilidade para aprender, ouvir o professor com atenção o conteúdo que ele passa. E com a chegada dos monitores aqui, eu acredito que teve uma melhora grande na qualidade do ensino tanto da disciplina e também da estrutura física da escola mesmo,” revela Lavínia, 14, aluna do 9º ano, que estuda na escola há 6 anos.


Caminhando pela unidade pode-se perceber que há um comportamento disciplinar muito nítido. Não existe barulho de conversas paralelas nem estudantes circulando pelos corredores. A sala de aula é um ambiente tranquilo, onde há espaço para todos se manifestarem, porém, respeitando as regras que são adotadas de maneira educativa, através do diálogo, o que tem atraído alguns alunos como Enzo, 15 anos, do primeiro ano do ensino médio.


“Entrei por causa da cívico-militar. Eu estudava numa escola que não era, e minha mãe falou assim, vamos para lá? Eu falei, ok. Muito boa a ideia, eu aprovei e estamos aqui, firme e forte. Eu gosto muito de uma rotina excelente. Eu gosto muito. Eu já ouvi gente falando que fica marchando no sol, e isso aí não é verdade. É uma escola muito excelente, os professores são nota dez, direção coordenação, tudo nota dez”, explica o estudante que há dois anos é aluno da unidade.


O 7º BPM de Aquidauana, que tem a frente o Tenente-coronel PM Guilherme Dantas Lopes, tem contribuído com membros do seu efetivo para a gestão com essa filosofia, na cidade de Anastácio, MS, onde a unidade recebe os militares para ajudar no dia a dia e na convivência, cada vez mais harmoniosa, entre estudantes, policiais militares e o ambiente escolar, estabelecendo uma construção evidenciada no princípio da disciplina e no respeito, contribuindo de maneira diferenciada na formação de cidadãos conscientes de direitos e deveres, eliminando a ideia de que a polícia é, exclusivamente, um órgão de repressão e autoritarismo.



Alunos na sala de aula - Foto: Ronald Regis / O Pantaneiro

Na Escola Estadual Maria Corrêa Dias, o Tenente PM Paulo Rogério é o responsável pela equipe militar que desenvolve esse projeto que, já está permitindo ao Tenente perceber os resultados


“A mudança foi no comportamento dos alunos. Nós temos relatos de pais, que o aluno melhorou dentro de casa, a responsabilidade dele melhorou, dos professores, a direção da escola como era antes, de se tornar cívico-militar, o comportamento dos alunos dentro da sala de aula, eles estão mais quietos, estão concentrados e consequentemente, o aprendizado deles melhorou tanto, que o índice deles aumentou, o escolar. A rotina do aluno, eles chegam 6 e 40 eles sobem na quadra, onde o chefe de turma, cada sala tem um chefe de turma semanal. Ele tira as faltas e apresenta para os policiais militares. Lá nós temos o momento cívico, a entrada da bandeira, a continência à bandeira, esse respeito. E nós cantamos ao todo são 9 hinos, que eles sabem de cor. Decorrendo da semana cantamos o hino nacional, na outra o da polícia militar, o hino da cidade, São 14 hinos ao todo, mas nove hinos já sabem de cor. E a gente coloca para eles, esse respeito não só à pátria, aos colegas, aos professores, aos pais. Então esse dia a dia com eles está sendo gratificante. Também estamos aprendo com eles. Essa experiência de troca com os professores, com os pais e com os alunos, está sendo gratificante,” conta orgulhoso o PM, explicando que eles trabalham com cinco homens e duas mulheres.


As mulheres são para atender, principalmente, às necessidades, particulares, das alunas, que não compete ao militar masculino.


A presença dos agentes não estabelece relação de autoritarismo, mas de parceria, reforçando aquilo que a escola, como instituição, já carrega por excelência; o ato de organizar uma sociedade, além de instruí-la. Compreender a importância do respeito ao próximo, como, por exemplo, dar um bom dia, pedir licença, agradecer por um gesto, ceder lugar a um idoso, respeitar, principalmente, os mais velhos e ouvir com atenção o que o outro está falando, são alguns dos propósitos de reforçar nas relações sociais que a Escola Cívico-Militar apresenta. Aos que estudaram o ensino fundamental e médio nos anos 1970 e 1980, reconhecem nessa proposta uma semelhança no que era apresentado nas aulas de moral e cívica, quanto à OSPB (Organização Social e Política do Brasil).



Alunos cantando o Hino Nacional Brasileiro - Foto: Ronald Regis / O Pantaneiro

Com uma documentação que apresenta a proposta do projeto que deve ser de conhecimento, tanto da equipe pedagógica, como dos alunos e dos pais e responsáveis dos mesmos, existe um certo “contrato de acordo”, assinado pelas partes, no intuito de que todos estejam cientes dos compromissos que terão que cumprir mutuamente, no dia a dia de um ano letivo de uma escola Cívico-Militar, como explica a diretora da Unidade, Maria Aparecida.



“A implantação do programa Cívico-militar, é um programa estadual, são exatamente quatro escolas no Mato Grosso do Sul, que fazem parte deste programa. No ano de 2021, nós fizemos uma audiência pública, onde a nossa representante do núcleo das escolas cívico-militar, a Eliana, veio, explanou sobre o que seria uma escola e nessa audiência pública nós tivemos a presença do nosso prefeito, vereadores, da nossa comunidade, pais, alunos, professores, funcionários. Então, foi uma audiência assim, bem lotada mesmo, nós enchemos a nossa quadra, e depois foi feita a votação. A votação teve 98% de aceitação do programa Cívico-Militar e para o ano de 2022, nós iniciamos. Tudo que é novo não é fácil porque a gente já vem de um vício, não é? Escola Cívico-Militar, não é escola militar. Então a parte da disciplina, ela fica com a polícia militar. Que são os nossos parceiros. Polícia militar, pode ser bombeiros. Eles são nossos parceiros e eles ficam responsáveis pela disciplina. A educação da Secretaria de Educação fica responsável pela parte pedagógica. E desta forma a gente vem caminhando”,


esclarece a diretora, completando que:


“A parte da disciplina os policiais eles trabalham o aluno da porta da sala para fora. Eles acompanham os alunos na hora do lanche, eles acompanham nesse horário da chegada, de repente por algum acaso algum professor chegue a faltar, eles tiram os alunos para fora e trabalham essa parte de hino, de marcha, de se apresentar. Até um grito de guerra. Cada sala tem o seu grito de guerra. Então, isso é trabalhado com os militares. Da sala de aula pra dentro é o professor. A autoridade é o professor. Quem trabalha é o professor. Então, de forma alguma o militar entra na sala de aula para dar aula de qualquer disciplina. Nós temos por ser Cívico-Militar a disciplina Educação para a Cidadania. Mas quem dá quem trabalha essa disciplina, é um professor de História,” esclarece a educadora.



A reportagem observou, que a proposta Cívico-Militar não torna uma escola superior ou inferior a outra, mas apenas com uma certa diferença que lhe é peculiar, com a presença de representantes da Polícia Militar, que são tão aliados ao corpo discente e docente, quanto todo o organismo da unidade de ensino. O que apresenta a proposta da Escola Cívico-Militar, é que ela não desautoriza o papel e o poder da escola, mas que os agentes cheguem para se aliar e dividir com educadores, momentos que, muitas vezes, os sobrecarrega nessa relação com alunos e comunidade escolar. Os militares complementam conteúdos cívicos de outrora, nas escolas do país. No estado do Mato Grosso do Sul, quatro unidades de ensino contemplam esse programa por meio da Secretaria Estadual de Educação.


Fonte: O PANTANEIRO

Leia mais em: https://www.opantaneiro.com.br/educacao/proposta-escola-civico-militar-construindo-disciplina-sem/203362/



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