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Família enfrenta despejo após décadas de residência em fazenda na região de Corumbá

  • 12 de abr. de 2024
  • 2 min de leitura

Corumbá 12 de abril de 2024

Na manhã desta sexta-feira (12), uma família residente há mais de 25 anos em uma fazenda na região de Porto Morrinho, área rural de Corumbá, enfrenta o despejo de suas terras. Militares do Exército, acompanhados por Policiais Federais, chegaram ao local por volta das 07h30 para cumprir a decisão judicial de desocupação, emitida pela 1° Vara Federal de Corumbá em outubro de 2022. Segundo a justiça, a área de aproximadamente 11 hectares pertence à União.


  Neyr Sebastião Pereira Jr, de 37 anos, porta-voz da família, expressa a angústia de ter que abandonar o lar: "Somos seis pessoas, todos trabalhadores da terra, e ainda tem meu tio, idoso, vítima de derrame, que é pescador profissional aposentado. Aqui, temos nossa criação de animais e nossas plantações, aqui é nosso lar, mas estamos sendo obrigados a deixar tudo para trás".

 

O desafio é ainda maior, pois a família não tem para onde ir. Seus pertences estão sendo temporariamente armazenados em uma fazenda vizinha onde trabalham, enquanto buscam uma moradia próxima que permita continuar com suas atividades agrícolas e de criação de animais.

 

Neyr afirma que possuem a posse das terras, nomeadas como Fazenda Recanto do Pescador, com inscrição estadual no Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal do MS). Alega ainda que durante o processo judicial não receberam a devida assistência legal e acabaram perdendo a causa. "O advogado não nos defendeu, registramos contra ele na OAB e buscamos outro representante, porém não tinha mais o que fazer, perdemos. Nosso atual advogado, enviou o caso para Brasília, mas não tivemos resposta", desabafa.

 

A situação é documentada por Neyr através de fotos e vídeos, registrando a ação das forças de segurança no local, onde construções erguidas pela família estão sendo demolidas. A decisão judicial considerou a ocupação dos mais de 11 hectares como irregular, determinando a desocupação do local, que é considerado propriedade da União.

  A família, que reside no local há pelo menos 25 anos, recebeu recentemente uma ordem extrajudicial para desocupar o imóvel dentro de um prazo de 10 dias corridos, a contar do dia 28 de março. No entanto, a falta de alternativas e o curto prazo tornam a situação ainda mais desafiadora. "O problema é que não temos para onde ir, temos plantações e animais aqui, o prazo que nos deram é muito curto, precisamos de ajuda", relata Neyr.

 

Diante desse cenário, a família busca apoio e soluções para garantir um desfecho justo e humanitário para sua situação, reforçando a necessidade de assistência legal e suporte da comunidade.



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