Câmara de Ladário prepara alteração em regimento para iniciar processos de cassação
- 30 de nov. de 2018
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A Câmara de Vereadores de Ladário deve começar a discutir na próxima sessão ordinária, na segunda-feira (03), projeto que altera o regimento interno do Legislativo, que não permite que suplentes participem de Comissão Processante. É que a Casa quer instaurar a CP para cassar os mandatos do prefeito afastado Carlos Ruso (PSDB) e dos sete parlamentares presos em operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) na segunda-feira (26), que investiga pagamentos feitos pelo chefe do Executivo aos vereadores em troca de apoio político.
Além da prisão preventiva, a Justiça determinou a suspensão do exercício de mandatos eletivos e de cargo público de todos os acusados. Com isso, a Câmara ladarense ficou composta de sete suplentes e apenas quatro titulares: o presidente da Mesa Diretora, Fábio Peixoto (PTB); o vice-presidente Daniel Benzi (PMDB); o 1º secretário, Jonil Júnior Gomes Barcelos (PMN) e Eurípedes de Jesus (PTB).
Para cassar os mandatos dos vereadores investigados e do prefeito afastado, o projeto vai propor alteração do Regimento Interno para que em caso de afastamento de 50 por cento mais um dos parlamentares, os suplentes possam integrar a Comissão Processante. A assessoria jurídica da Câmara já está preparando a mudança e uma vez votada e aprovada, o Legislativo dará início aos processos de cassação.
Mensalinho
Os vereadores presos foram: Vagner Gonçalves (PPS), Agnaldo dos Santos Silva Junior (PTB), André Franco Caffaro (PPS), Augusto de Campos (MDB), pastora Lilia Maria Villalva de Moraes (MDB), Paulo Rogério Feliciano Barbosa (PMN) e Osvalmir Nunes da Silva (PSDB).
O mensalinho pago pelo prefeito afastado Carlos Ruso, conforme o Gaeco e o Ministério Público Estadual variava entre R$ 1,5 mil e R$ 3,5 mil e acontecia há mais de um ano. O salário mensal de um vereador na cidade é de cerca de R$ 6 mil.
Indicação de cargos na Secretaria de Educação, pelos vereadores acusados, também fazia parte do "acordo" e quem cuidava da nomeação era o então secretário de Educação, Helder Botelho, também preso. Os parlamentares ainda teriam barrado uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que averiguava denúncias de irregularidades na Saúde.
A investigação fez apreensões em dinheiro, gravações telefônicas e de vídeo, com a colaboração dos vereadores Fábio Peixoto, Daniel Benzi e Jonil Júnior, que levaram a denúncia ao Ministério Público.
O prefeito afastado, o ex-secretário e os sete vereadores tiveram a prisão preventiva decretada, por tempo indeterminado, e foram levados para presídios de Campo Grande.
